OMS defende calendário de vacinação para contrariar decisão de Trump

OMS defende calendário de vacinação para contrariar decisão de Trump

O presidente dos EUA reduziu de 18 para 11 as vacinas destinadas às crianças. A Organização Mundial da Saúde determina calendários baseados em evidências científicas.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Trump diz que a medida vai dar proteção "padrão ouro" às crianças dos EUA Kylie Cooper - Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de defender a existência de calendários específicos de vacinação para as crianças.

A medida surge como reação à decisão de Donald Trump que reduziu para 11 as vacinas infantis nos Estados Unidos.

Em conferência de imprensa, que decorreu esta terça-feira em Genebra, na Suíça, o porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, disse que a recomendação de vacinação surge com base nos mais de 60 anos de investigação da OMS, nos pareceres das autoridades nacionais e também em afirmações de outros grupos independentes de especialistas.

"As diretrizes da OMS são baseadas na ciência", disse Jašarević. 

"Esperamos que todos os países possam utilizar as melhores evidências científicas que temos", salientou.

O porta-voz da OMS fez questão de esclarecer que a fundamentação da decisão baseia-se nas opiniões dos vários técnicos consultivos de imunização, nos quais integram especialistas multidisciplinares, que são responsáveis por fornecer recomendações aos governos e gestores de programas de vacinação.

Recorde-se que na última segunda-feira Trump assinou uma ordem que prevê um calendário de vacinação infantil, mas foi reduzido de 18 para 11 vacinas. 

O presidente dos EUA afirmou que a medida vai permitir às crianças americanas uma proteção considerada "padrão ouro" e vai colocar os Estados Unidos na linha de outros países desenvolvidos que também fazem a recomendação da redução de doses.

Entretanto, vários especialistas já vieram a público contestar a afirmação de Trump. 

Dizem que alguns países desenvolvidos podem reduzir as doses porque enfrentam riscos de doenças diferentes e têm sistemas de saúde distintos.

A decisão de Donald Trump vem dar seguimento a uma intenção antiga do Secretário da saúde norte-americano, Robert F. Kennedy Jr., que pôs em causa a segurança das vacinas e chegou a alegar que estão diretamente relacionadas com o autismo. 

A alegação de Kennedy Jr. já foi contestada, uma vez que os estudos científicos e também as autoridades de saúde pública não encontraram quaisquer evidência dessa ligação.

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